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Terra do Meio volta ao centro de debate sobre conservação

Operações do ICMBio na unidade de conservação mobilizam produtores, parlamentares e ambientalistas no Pará

Apuração Digital
Terra do Meio volta ao centro de debate sobre conservação A lei da sobrevivência / Ilustração

Terra do Meio volta ao centro de debate sobre conservação

A Terra do Meio voltou ao centro do debate nacional após operações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para retirada de gado mantido dentro da Estação Ecológica Terra do Meio, unidade de conservação federal localizada no sudoeste do Pará. As ações ganharam repercussão no início de junho de 2026 após a divulgação de vídeos que mostravam momentos de tensão durante fiscalizações na região.

As imagens circularam em redes sociais e aplicativos de mensagens, ampliando a discussão sobre a atuação do Estado em áreas protegidas ocupadas por atividades produtivas. A repercussão também provocou manifestações de lideranças rurais, representantes políticos e organizações ligadas à pauta ambiental.

O que está em discussão na Terra do Meio

Segundo o ICMBio, a presença de rebanhos bovinos dentro da Estação Ecológica Terra do Meio é incompatível com a legislação que regula unidades de conservação de proteção integral. O órgão afirma que as operações possuem respaldo administrativo e judicial.

De acordo com o instituto, a retirada dos animais integra uma estratégia voltada ao combate ao desmatamento, à ocupação irregular de terras públicas e à degradação ambiental. A medida faz parte de um plano já existente para reduzir os impactos da atividade pecuária dentro da unidade de conservação.

Por outro lado, produtores rurais e moradores da região argumentam que muitas famílias vivem no local há décadas. Eles defendem que a situação envolve também questões fundiárias e sociais, relacionadas à falta histórica de regularização de terras e de alternativas econômicas.

Repercussão política das operações

A discussão chegou ao Congresso Nacional e à Assembleia Legislativa do Pará. No Senado Federal, o senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) defendeu a realização de debates sobre a condução das operações, alegando a necessidade de avaliar possíveis excessos e garantir os direitos das populações afetadas.

Na Assembleia Legislativa do Pará, o deputado estadual Torrinho Torres manifestou críticas às ações e cobrou maior diálogo com os produtores da região do rio Iriri. Já o deputado federal Delegado Caveira questionou a forma de execução das fiscalizações e defendeu maior segurança jurídica para os moradores atingidos.

Em sentido oposto, parlamentares ligados à pauta ambiental e setores da base governista apoiam a continuidade das operações. Para esse grupo, a retirada do gado é necessária para assegurar a efetividade das unidades de conservação e conter o avanço da ocupação irregular em áreas públicas destinadas à preservação ambiental.

Desafio envolve conservação e desenvolvimento

Especialistas apontam que o caso da Terra do Meio reflete um dos principais desafios da Amazônia: conciliar conservação ambiental, regularização fundiária e desenvolvimento econômico em regiões marcadas por décadas de ocupação informal e baixa presença do poder público.

Nesse contexto, a região tornou-se símbolo de um debate que ultrapassa os limites do Pará. A discussão reúne diferentes visões sobre o uso do território amazônico e evidencia a busca por soluções capazes de equilibrar proteção ambiental, segurança jurídica e inclusão social.

Enquanto novas etapas das operações seguem previstas para os próximos meses, a Terra do Meio permanece entre os principais focos das políticas ambientais brasileiras, mobilizando governos, produtores rurais, organizações ambientais e representantes políticos.




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